07/11/2025
Entidade reforça que o período exclusivo de exibição nas salas é decisivo para o equilíbrio econômico e cultural do audiovisual nacional
A janela de exibição cinematográfica, período em que um filme é exibido exclusivamente nos cinemas antes de chegar às plataformas de streaming, é uma etapa fundamental para a saúde financeira do audiovisual nacional e para a valorização da cultura, garantindo o equilíbrio econômico de toda a cadeia, por meio de uma remuneração mais justa para produtores, distribuidores e exibidores. Hoje, o intervalo médio para a chegada de uma produção ao streaming no Brasil é de apenas 45 dias. O Projeto de Lei 8889/2017, aprovado pela Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (5) e que agora segue para o Senado, estabelece um intervalo de 09 semanas.
De acordo com Marcos Barros, presidente da ABRAPLEX - Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas Operadoras de Multiplex, a janela é muito importante para mitigar a pirataria, estimular o boca a boca e maximizar a performance futura dos títulos.
“Filmes que vão bem nos cinemas apresentam também um desempenho superior no streaming. A regulamentação protege o cinema como espaço cultural e elo essencial da economia criativa - base do primeiro encontro do público com o filme. Além disso, evita a canibalização das bilheterias, já que no Brasil 60% do público que não frequenta as salas de cinema dizem esperar o streaming, e garante previsibilidade econômica para distribuidores e exibidores, principalmente os menores, que precisam de um ciclo mínimo de exibição para amortizar custos e reinvestir”, explica.
O Brasil conta hoje com 860 complexos cinematográficos - presentes em todos os Estados e em mais de 450 municípios - mantidos por 258 empresas, sendo 150 com mais de dez anos de existência, além de dezenas de distribuidoras e milhares de produtoras independentes, preservando dezenas de milhares de empregos diretos e indiretos e garantindo a vitalidade de um setor que movimenta mais de R$ 70 bilhões na economia.
“Falamos de uma indústria que gera mais de 600 mil empregos, dos quais 121,8 mil são empregos diretos, tendo o segmento de exibição papel central nesse ecossistema, sustentando 27,3 mil empregos diretos, e que segue em processo de recuperação após a pandemia, buscando reconquistar o patamar de público e renda registrados antes de 2020. Alcançamos um recorde histórico de 3.542 salas em funcionamento, mas é fundamental que as políticas públicas preservem esse segmento. Nesse contexto, a inclusão da janela mínima de 9 semanas no Projeto de Lei aprovado pela Câmara é um avanço real para fortalecer o setor de exibição brasileiro, embora um prazo maior (próximo às 12 semanas) fosse o ideal, considerando que o prazo já foi de cerca de 120 dias na época do vídeo doméstico, segmento que o VOD substituiu, mas com o qual ainda compartilha inúmeras similaridades em seu ciclo de exploração comercial”, complementa.
Barros comenta, ainda, que exemplos internacionais bem sucedidos, como na França, poderiam ser utilizados como inspiração. Por lá a janela varia de 6 a 15 meses, de acordo com o investimento que foi realizado para a produção. Com isso, a participação dos filmes franceses no próprio mercado chega hoje a mais de 44%. No Brasil, até agosto deste ano, foram lançados 132 títulos nacionais, mas o market share de público foi de apenas 11,2%. Além disso, cinco filmes concentraram sozinhos 94% do público nacional e 127 obras dividiram apenas 6% do público.
“A regulação da janela é um instrumento de equilíbrio, que tem como principal foco proteger o investimento público e privado na cultura e fortalecer o ecossistema audiovisual. Sem a janela, perde o cinema, perde o produtor e perde o público”, finaliza.